Em 2007 fizemos lançamentos do meu primeiro livro de poesis, Quando as Letras Têm a Cor do Sonho. Por aqueles dias, o jornalista Melquíades Jr., do Diário do Nordeste, escreveu matéria-resenha sobre o livro.
Segue abaixo o texto do Melquíades, para quem quiser conferir:
Clipping - Fonte Jornal Diário do Nordeste – Caderno 3/ 3º Feira, 20 de Março – página 8 - 2007
ENCANTAMENTOS DE POETA GRANDE
Um menino viu que podia sonhar. Melhor ainda, que seus sonhos tinham, feito capítulos de um livro, continuação. Era possível sonhar cada dia um pedaço de devaneio onírico, de um poeta que nasceu do sonho, pensando ser o próprio Ali Babá numa caverna com quarenta ladrões, descobrindo gatos azuis e amarrando nuvens na janela de um ônibus. Da catarse onírica ao poético “fraseador”.
E o menino-grande/poeta se alimenta do sonho, da realidade sertaneja, da infância à beira do Rio Jaguaribe e do ‘nada’ - onde muitas vezes pode estar tudo – e com felicidade (sempre) e “simplesa” pinta com palavras uma poesia doce, enxuta, despretensiosa e até meta-poética, numa aquarela literária intitulada “Quando as letras têm a cor dos sonhos”, de Kelson Oliveira, publicando seu primeiro livro, contemplado pelo Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Estado.
“Sem felicidade não existiria esse livro”, afirma o jovem poeta sobre seu rebento, que, embora com simplicidade da escrita e um eu poético ameninado, não é para crianças. “É uma mensagem da criança para os adultos”. Mas diante do mundo inteiro, qualquer adulto é uma criança, daí a profundidade das reflexões “despretensiosas”: “Se o universo inteiro abrisse a boca /e dissesse com lentidão: ‘Eu estou com fome...’/O que ele iria comer/tendo em vista que carrega o fardo/ de ser tudo o que há?”.
Tendo provado da fonte de Manoel de Barros – que, menino, resolveu “desenhar o cheiro das árvores” e um mundo de coisinhas, Kelson escreve as coisas simples da vida, mas sublimes, umas “simplesas”, como escreveu, desde o início propondo uma outra arrumação das palavras e sentidos. Amor, sociedade, natureza, “tentei fugir dos temas consagrados”. Tentou, mas talvez tenha conseguido fugir da consagração dos temas, numa poesia que veio “de repente”, “sem maiores intenções”, como em “Momentos”: “Assim você me conquista/ Assado é para o almoço/ Há momentos que eu rio/ Você lagoa.”
O estudante de História (Fafidam-Uece) já é doutor em estórias, conseqüência do modus vivendi - calçadas de interior, terreiro de jogar bola, soltar pipa, apreciador do Rio Jaguaribe, colecionador de tampinhas de refrigerante. “Quando as letras têm a cor do sonho”, é inteligente, encantador. O leitor mais sensível irá lembrar de quando quis ser Peter Pan na Terra do Nunca, ou o pequeno príncipe: “Comprei uma corda grosa/ Amarrei num poste/A outra ponta vou amarrar na parede/do espaço Sideral/Assim, eu paro a rotação dessa bola azul/ e namoro um pouco mais esse momento”.
Melquíades Júnior
Um menino viu que podia sonhar. Melhor ainda, que seus sonhos tinham, feito capítulos de um livro, continuação. Era possível sonhar cada dia um pedaço de devaneio onírico, de um poeta que nasceu do sonho, pensando ser o próprio Ali Babá numa caverna com quarenta ladrões, descobrindo gatos azuis e amarrando nuvens na janela de um ônibus. Da catarse onírica ao poético “fraseador”.
E o menino-grande/poeta se alimenta do sonho, da realidade sertaneja, da infância à beira do Rio Jaguaribe e do ‘nada’ - onde muitas vezes pode estar tudo – e com felicidade (sempre) e “simplesa” pinta com palavras uma poesia doce, enxuta, despretensiosa e até meta-poética, numa aquarela literária intitulada “Quando as letras têm a cor dos sonhos”, de Kelson Oliveira, publicando seu primeiro livro, contemplado pelo Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Estado.
“Sem felicidade não existiria esse livro”, afirma o jovem poeta sobre seu rebento, que, embora com simplicidade da escrita e um eu poético ameninado, não é para crianças. “É uma mensagem da criança para os adultos”. Mas diante do mundo inteiro, qualquer adulto é uma criança, daí a profundidade das reflexões “despretensiosas”: “Se o universo inteiro abrisse a boca /e dissesse com lentidão: ‘Eu estou com fome...’/O que ele iria comer/tendo em vista que carrega o fardo/ de ser tudo o que há?”.
Tendo provado da fonte de Manoel de Barros – que, menino, resolveu “desenhar o cheiro das árvores” e um mundo de coisinhas, Kelson escreve as coisas simples da vida, mas sublimes, umas “simplesas”, como escreveu, desde o início propondo uma outra arrumação das palavras e sentidos. Amor, sociedade, natureza, “tentei fugir dos temas consagrados”. Tentou, mas talvez tenha conseguido fugir da consagração dos temas, numa poesia que veio “de repente”, “sem maiores intenções”, como em “Momentos”: “Assim você me conquista/ Assado é para o almoço/ Há momentos que eu rio/ Você lagoa.”
O estudante de História (Fafidam-Uece) já é doutor em estórias, conseqüência do modus vivendi - calçadas de interior, terreiro de jogar bola, soltar pipa, apreciador do Rio Jaguaribe, colecionador de tampinhas de refrigerante. “Quando as letras têm a cor do sonho”, é inteligente, encantador. O leitor mais sensível irá lembrar de quando quis ser Peter Pan na Terra do Nunca, ou o pequeno príncipe: “Comprei uma corda grosa/ Amarrei num poste/A outra ponta vou amarrar na parede/do espaço Sideral/Assim, eu paro a rotação dessa bola azul/ e namoro um pouco mais esse momento”.
Melquíades Júnior

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