Outro prazer ainda me veio visitar: perceber a recepção de cada novo livro do Dércio nos meios literários. Recepção boa, sempre de admiração. Lenta, é verdade, devido às dificuldades de divulgação. Mas é sempre uma recepção positiva e que só faz crescer a cada dia. O novo livro de que falo é o Como um Cão que Sonha a Noite Só. Conjunto de contos onde o leitor ouve falar de um homem só com seu cão aos pé, de uma desgraçada mulher-a-dias, de um estudioso do horror, de um justo assassínio de um morto, de um fundidor de metais, de uma humanidade desaparacida, de uma história sobre outra igualmente findada: essas são algumas das histórias, dos protestos de quem conta e imagina essas vidas contra a finitude, contra o esquecimento do mundo.
O livro inicia-se com a história intitulada Como um Cão que Sonha a Noite Só, que dá título à obra. Este conto põe de forma crua um homem comum, comedido, bem quisto, que um dia se põe a chorar interminavelmente quando lê uma página de um livro que dá conta de mais um massacre cometido por mais um entre tantos exércitos do mundo. É só um exemplo de tudo o que se faz no restante do livro, que é senão denunciar as desgraças e a miséria cotidianas, sem usar de clichês ou panfletagens.
Durante todo o livro os leitores verão que são temas, assuntos, e olhares de quem tem um apurado senso crítico para apresentar, além de um olhar clínico para captar, todas as realidades que nos rodeiam. As histórias começam quase sempre com este cotidiano comum. Mas o comum é, às vezes, absurdo, ridículo, cruel. Quase nunca o “cotidiano comum” é realmente banal. É isto o que Dércio Braúna nos mostra, porque sabe, em suas próprias palavras, que hoje “olha-se muito. [mas] Repara-se pouco.”
Dentre os temas tratados nos vários contos, as guerras, os massacres militares, a violência são muito recorrentes. E, dentre eles, o tema da idéia de um “DEUS” talvez o seja até mais recorrente que os outros. Sempre que surge, vê-se a presença de uma ironia cética do autor sobre a ajuda deste para com os homens e mulheres sofridos. Deus, para o autor, serve para “repovoar nosso desespero com fiapos de sonhamentos”.
Quem percorrer com calma esse roteiro de histórias perceberá ainda uma escrita peculiar, marcada por um estilo próprio. Tal estilo traz um português diferenciado, fruto em grande parte das influências que o Dércio sofreu de alguns vários escritores estrangeiros, mas de países que falam o português, fique dito, em Portugal e África. O resultado é uma escrita poética e minuciosamente esculpida. Escrita de quem domina não só o português, mas os vários portugueses falados pelo mundo.
O livro inicia-se com a história intitulada Como um Cão que Sonha a Noite Só, que dá título à obra. Este conto põe de forma crua um homem comum, comedido, bem quisto, que um dia se põe a chorar interminavelmente quando lê uma página de um livro que dá conta de mais um massacre cometido por mais um entre tantos exércitos do mundo. É só um exemplo de tudo o que se faz no restante do livro, que é senão denunciar as desgraças e a miséria cotidianas, sem usar de clichês ou panfletagens.
Durante todo o livro os leitores verão que são temas, assuntos, e olhares de quem tem um apurado senso crítico para apresentar, além de um olhar clínico para captar, todas as realidades que nos rodeiam. As histórias começam quase sempre com este cotidiano comum. Mas o comum é, às vezes, absurdo, ridículo, cruel. Quase nunca o “cotidiano comum” é realmente banal. É isto o que Dércio Braúna nos mostra, porque sabe, em suas próprias palavras, que hoje “olha-se muito. [mas] Repara-se pouco.”
Dentre os temas tratados nos vários contos, as guerras, os massacres militares, a violência são muito recorrentes. E, dentre eles, o tema da idéia de um “DEUS” talvez o seja até mais recorrente que os outros. Sempre que surge, vê-se a presença de uma ironia cética do autor sobre a ajuda deste para com os homens e mulheres sofridos. Deus, para o autor, serve para “repovoar nosso desespero com fiapos de sonhamentos”.
Quem percorrer com calma esse roteiro de histórias perceberá ainda uma escrita peculiar, marcada por um estilo próprio. Tal estilo traz um português diferenciado, fruto em grande parte das influências que o Dércio sofreu de alguns vários escritores estrangeiros, mas de países que falam o português, fique dito, em Portugal e África. O resultado é uma escrita poética e minuciosamente esculpida. Escrita de quem domina não só o português, mas os vários portugueses falados pelo mundo.
É uma escrita de quem sabe que literatura é uma arte de tratar as palavras com carinho. Todas as palavras. Sejam elas duras ou afáveis. O Dércio se dá melhor em sua relação com as palavras duras, ásperas, fortes. E as trata tão bem que ler esse livro é sinônimo de se deliciar não só com o conteúdo das histórias, mas também com o modo como as tais foram delineadas pelo escritor.
Outro dia desses, um crítico literário de Fortaleza, o Nilton Maciel, recebeu este livro de presente de um amigo e escreveu sobre ele em seu site pessoal (niltomaciel.blog.uol.com.br). Entre outras coisas, ele disse: “Dércio Braúna sabe escrever, leu e aprendeu a escrever, tem imaginação, talento. E algo mais, que falta à maioria dos escritores brasileiros. […] Não é um escritor qualquer. É um novo bom escritor. E este COMO UM CÃO QUE SONHA A NOITE SÓ é obra de quem sabe onde pisa.”
Belas e precisas as palavras as do Nilton. Me resta apenas acrescentar que o Dércio ainda é mais do que um novo bom escritor, como bem disse o Nilton Maciel. É já uma realidade. Realidade que, sem dúvidas, nesse instante começa a ganhar ascensão.
